Ricardo Salgado já foi constituído arguido no caso EDP

 

O ex-presidente do Banco Espírito Santo foi constituído arguido pela quarta vez, desta vez no caso EDP, devido às transferências feitas da Espírito Santo Enterprises para Manuel Pinho, algumas delas enquanto era ministro da Economia. À semelhança dos outros arguidos do processo, Ricardo Salgado só será interrogado mais tarde

Pela quarta vez, Ricardo Salgado foi constituído arguido num processo-crime. Depois do caso Monte Branco, da Operação Marquês e do processo sobre a queda do Banco Espírito Santo (conhecido como processo do Universo Espírito Santo), o ex-presidente do BES foi agora constituído arguido no caso EDP por suspeitas de corrupção ativa, averiguou a VISÃO. Em causa estão os pagamentos feitos a Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, entre 2006 e 2012, a partir da Espírito Santo Enterprises, o alegado saco azul do Grupo Espírito Santo.

Os procuradores Carlos Casimiro Nunes e Hugo Neto, que conduzem o caso EDP no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), descobriram através dos dados dos processos do BES e da Operação Marquês que Manuel Pinho terá recebido mais de 1 milhão de euros da Espírito Santo Enterprises entre outubro de 2006 e junho de 2012. Só no período em que era ministro da Economia, o saco azul do GES terá transferido para Manuel Pinho mais de 500 mil euros por via de transferências mensais de perto de 15 mil euros. Conforme foi divulgado pelo Observador, esses pagamentos foram feitos para uma sociedade offshore de Manuel Pinho com sede no Panamá: a Tartaruga Foundation. Essas transferências, diz o jornal online citando um despacho de 11 de junho dos procuradores do caso EDP, terão sido feitas “por ordem de Ricardo Salgado” para que Pinho beneficiasse o BES e o GES e também “a EDP (da qual o BES era accionista) durante o tempo em que exerceu tais funções públicas”.

Recorde-se que o caso EDP investiga vantagens alegadamente concedidas à eléctrica por decisões tomadas pelo então ministro da Economia. A mais polémica é o fim dos contratos de aquisição de energia e a posterior celebração dos CMEC [Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual]. Também está sob suspeita um patrocínio concedido pela EDP à Universidade de Columbia, nos EUA, onde Manuel Pinho viria a dar aulas.

Além de Ricardo Salgado, também já foram constituídos arguidos Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, António Mexia, presidente executivo da EDP, e João Manso Neto, presidente da EDP Renováveis. Também João Conceição, administrador da REN e ex-assessor de Manuel Pinho, o director de regulação da REN, Pedro Furtado, o ex-presidente da REN Rui Cartaxo e um ex-administrador executivo da EDP e vice-presidente da Boston Conssulting Group (Pedro Rezende) já foram constituídos arguidos neste caso.

Lusa