GABRIEL PINHO: “Servir bem dá-nos imenso gozo!”

É já nesta sexta-feira, 18 de Maio, que tem início a XIV Feira do Grelo, naquela que é, desde há muito, a “aldeia gastronómica” de Mira e da região, a pitoresca localidade dos Carapelhos.

E, falar em Carapelhos e Feira do Grelo, é o mesmo que falar Gabriel Pinho, um nome intrinsecamente ligado à terra e à Feira que a torna (ainda mais) conhecida pelo país e pelo mundo. O Jornal Mira Online entrevistou-o, para saber um pouco mais daquilo que serão os próximos 3 dias… num fim de semana que marca, indelevelmente, o lugar.

“Inicialmente este evento era organizado pela Confraria em conjunto com a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal” – diz – “Estivemos 3 anos em Mira, mas a Câmara Municipal da altura não dava seguimento ao acordo que havia sido firmado… assim, Fábio Ventura, que este ano “passará a pasta” ao Confrade Nuno Janicas, achou por bem, junto com todos os outros confrades, trazer a Feira para os Carapelhos… e, em boa hora o fez!”.

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O sucesso foi galopante. Confessando-se “nada arrependido, porém um pouco receoso, na altura, devido ao espaço reduzido que tínhamos”, Gabriel Pinho rendeu-se, rapidamente, às “evidências”, uma vez que os números foram em crescendo ao longo do tempo ao ponto de, neste ano, estarem a espera de cerca de 5.000 pessoas a comer e 10.000 pessoas, ao longo dos 3 dias, a visitarem a Feira!

Com imensas atividades, tais como a “corrida entre nabos e nabais”, showcookings, a tertúlia com o famosíssimo mirense Luís Lavrador, dentre outras, as pessoas que lá estiverem podem ter como garantidas uma excelente alimentação e variadas diversões, para todos os gostos.

Numa Feira que “não tem escalas… todos trabalham, e muito!”, estarão presentes “mais ou menos 60 confrades a trabalhar, para além de mais algumas pessoas que não são confrades, mas ajudam-nos imenso durante estes dias”. Nada é feito ao acaso, ali: “Tudo isto começa a ser preparado meses antes… a contratação de artistas, normalmente, é feita já no ano anterior. A horta, a compra de materiais e todos os outros pormenores importantíssimos são levados em conta cerca de 2 meses antes, para que nada nos falte nesses dias”.

As reuniões preparativas são, geralmente, “bastante calmas, não havendo necessidades de se dar “murros na mesa”, pois cada elemento já sabe o que é necessário na sua área de atuação”. A adrenalina, essa, é a que os move antes e durante a Feira: “Todos nós arregaçamos as mangas e vamos à luta! Há tempo para tudo: para um trabalho constante e intenso, mas também para revermos e podermos “jogar um pouco de conversa fora” com os muitos amigos que granjeamos ao longo do tempo e que vêm visitar-nos”. Mas, uma das grandes notícias desta Feira é o facto de um vizinho da Confraria – Manuel Miranda – ter-lhes permitido “deitar o muro abaixo, permitindo que a eira seja utilizada para servir de esplanada e albergar os fornos”. Segundo o autarca e confrade, “isto ajudar-nos-a, imenso, a recepcionar ainda mais e melhor os visitantes… bem como, é preciso destaca-lo, haverá estacionamento “com fartura”… as pessoas poderão vir descansadas aos Carapelhos, pois estaremos preparados em todos os aspectos!”.

Desengane-se quem pensa que isso tudo começa e acaba por aqui! A Confraria trabalha arduamente, durante todo o ano a divulgar e a levar mais longe o seu nome, o da terra e o do Concelho de Mira: comparecem em atividades de outras confrarias pelo país, pela Europa e por outros continentes, divulgam a importância dos nabos e grelos na alimentação em locais como escolas de hotelaria, dão-se a conhecer em aeroportos, mostrando a quem embarca e desembarca, o seu trabalho, os sabores, os talentos… e, tudo isso ajuda a valorizar ainda mais uma Feira que as pessoas acabam por querer conhecer.

“Servir bem dá-nos imenso gozo! Todos nós, que ali estamos a trabalhar, gostávamos de também estar sentados a aproveitar o momento, a degustar dos pratos em família e conviver… mas, o nosso “campeonato” é outro: queremos servir bem, tratar bem quem nos visita, darmos o nosso melhor a cada momento. Isso é o que nos move, podem acreditar!”

E, acredite o leitor: se ainda não conhece esta Feira, vai valer a pena dar-se ao luxo de lá comparecer neste fim de semana. Se conhece, já sabe que passará, ali, bons momentos. De qualquer forma, conhecendo-a – ou não – de sexta a domingo, todos os caminhos levarão aos Carapelhos. Lá, a boa gente da pequena terrinha fará tudo para que tenha um lugar conquistado no coração de quem a visita…

Jornal Mira Online