DOMUS / JAL: A ideia nasceu em África e se desenvolveu a partir de Portomar…

A publicação desta reportagem tem um simbolismo: No “Dia de Portugal”, nada melhor que mostrar que muito se pode fazer em prol das Comunidades que vivem na Diáspora e, também, pelos povos das antigas Colónias portuguesas…

Foi no dia 6 de Junho, uma data importante para o Clube Domus Nostra, pois foi nela que o clube nasceu há 45 anos, o clube de Portomar deu uma boa “prenda” para a sociedade: o Domus Nostra celebrou o apoio que está a dar à JAL – JOVENS ATLETAS DA LAGOA, um importantíssimo projeto de apoio ao desporto, em Cabo Verde.

Paulo Grego, Miguel Grego e Pedro Miguel Gordo foram as faces visíveis de uma parceria que nasceu da vontade de cooperar com a JAL, por parte do diretor da Litoral Regas que a descobriu, em trabalho naquele país, em 2018.

Miguel Grego em conversa com o Professor Eliseu Fortes, percebeu o alcance de um projeto que pode dar frutos a curto prazo desportivamente falando, mas é acima de tudo uma forma de dar às crianças e jovens de Santo Antão, a oportunidade de transformá-los em seres felizes por lutar por objetivos de vida em condições tantas vezes impróprias, e, quiçá, nascerem novos campeões no atletismo local.

Prontamente aceite pela Direção do Clube, a ideia transformou-se em algo concreto, tal como a recolha de material que foi enviado para Cabo Verde com o intuito de preencher algumas das muitas necessidades que aqueles jovens têm no seu dia-a-dia.

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Mas, não é somente de uma “direção orgulhosa” que se trata a matéria. É muito importante perceber-se, pelas palavras de Eliseu Fortes, o impacto que um projeto desta envergadura pode alcançar…

Eliseu é professor de Educação Física numa escola da Lagoa e, cedo se apercebeu do potencial que ali existia: “francamente, não demorou nada para conseguir ver que havia muito talento naquele local… vi, naquela altura, que era uma questão de termos as condições mínimas necessárias, para formar campeões!”. 

escolinha que, desde a primeira hora pretendeu formar futuros homens e futuros campeões, “alastrou-se rapidamente pela Ilha de Santo Antão”, afirma um professor orgulhoso, porém resignado: “começamos com meia dúzia de atletas e hoje são mais de cinquenta, o que implica que não temos – por agora – condições de crescer mais”. Neste sentido, o homem que criou a ideia de se fazer algo de útil para o desporto e a sociedade local, acaba por sentir-se “tremendamente grato ao Domus, ao Miguel Grego em particular e ao incansável João Silva, que está sempre pronto a cooperar conosco”, pois tem a expectativa sempre presente de conquistar mais apoios para poder ver a sua JAL poder crescer.

“Talvez a maior parte das pessoas não consiga ver o alcance deste projeto” atira Eliseu Fortes, para acrescentar que “é fundamental que haja sempre pessoas dispostas a ajudar e entidades como o Domus Nostra, a apoiar-nos… é baseado nesta cooperação que conseguimos ver uma luz no fundo do túnel”. 

E, convenhamos, tem absoluta razão, o Eliseu! É em ideias como esta, nascidas sabe-se lá sob que condições, que reside o verdadeiro espírito de um Portugal solidário com os seus e com o mundo. Muito está a ser feito, um pouco pelos quatro cantos do mundo, mas muito ainda há por fazer!

Não se trata de, única e exclusivamente, tentar-se formar atletas de eleição. Trata-se, sobretudo, de criarem-se condições sócio-económicas para que toda uma sociedade consiga recolher os frutos do intenso trabalho desenvolvido por gente anónima, porém, fundamental para que a coisa ande!

Eliseu Fortes e o conhecidíssimo João Silva estão sempre presentes no terreno e, são eles quem conhecem melhor a realidade naquele local. O que eles fazem, em conjunto com o Domus Nostra, nada mais é que colocar em prática tudo o que lhes for possível fazer, para que a localidade, o país e as suas populações possam se aperceber do real valor que possuem, suplantando as muitíssimas lacunas que encontram.

Isso acontece com um clube do Concelho de Mira e uma Escola de um país longínquo, como é Cabo Verde. Imagine-se, então, o quanto se poderá ser transformado – para melhor – o mundo lusitano se exemplos como este se multiplicarem…

Jornal Mira Online