Carapinheira festeja Nossa Senhora das Dores há 229 anos

A comunidade cristã da Carapinheira, arciprestado do Baixo Mondego, festeja Nossa Senhora das Dores, de 16 a 19 de Agosto de 2018.

A festividade, essencialmente de cariz religioso, inicia-se hoje, pelas 21h00, com a celebração da Eucaristia, seguida de procissão, acompanhada pela Academia Musical Arazedense, que conduzirá a Imagem de Nossa Senhora das Dores à Capela de Santo Amaro, onde ficará à veneração dos fiéis, até sábado.

Nesse dia 18, será celebrada a Missa Vespertina, pelas 21h00, seguida de procissão que reconduzirá a Imagem de Mãe de Cristo da Capela de Santo Amaro à Igreja Matriz, acompanhada pela Academia Musical Arazedense.

O grande dia festivo, dia 19, será anunciado por salva de 21 tiros, culminando com a celebração da Eucaristia, pelas 16h00, animada pelo Grupo Coral Paroquial da Carapinheira, seguida da imponente procissão, onde se incorporam os Escuteiros, as irmandades (sob a égide da Confraria do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Rosário e das Almas), o pálio e a veneranda e venerada Imagem de Nossa Senhora das Dores e participação dos fiéis, acompanhada pela Banda da Filarmónica União Verridense.

De registar que, na paróquia de Santa Susana da Carapinheira, a veneração mariana emerge dos primórdios da paróquia, invocando Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Graça e Nossa Senhora das Missões.

Todavia, o fervor e devoção por Nossa Senhora das Dores remonta ao último quartel século XVIII, quando, como escreveu Francisco Correia Lopes, “no anno de 1788 desejando ter na sua egreja uma imagem que lhe representasse a Mãe de Deus nas angustiosas dores da morte do seu amado Filho (…) encomendaram a imagem, que é de tamanho natural duma mulher regular e é de vestir; as suas feições são com tanta naturalidade e belleza, que nem a afflição de chorar e com as lagrimas a resvalar pelo rosto abaixo, lhe fazem perder o bello das suas feições, tão naturaes e com tanta sabedoria ellas foram traçadas; tem a cara um pouco levantada e os olhos inclinados ao céo como supplicando; é de uma devoção a quem a vê, inexplicável, e parece inspirar no coração dos fieis a crença de que ella está viva para os ouvir e attender (…)”. “Teve collocação no seu altar n’esta egreja, com a sua primeira festa no dia 4 de Janeiro de 1789, (…) havendo só missa cantada e sermão que se pagou por 1$600 reis apezar do orador vir de Coimbra, e com uma dúzia de foguetes que custaram 1$200 reis. (…) a devoção com a Senhora das Dôres n’esta freguezia tem augmentado e feito elevar a sua festa a tal ponto de luxo que difficil será imital-a em terra alguma d’este districto de Coimbra; e, mesmo em Coimbra, só a excede a festa da Rainha Santa, o que não admira, por que lá dispõem de todos os elementos de que precisam para o luxo e grandeza, tendo a coadjuval-a todas as corporações civis e religiosas de todas as freguezias da cidade na sua procissão; e nós aqui servimo-nos só com o nosso pessoal e objectos; por isso é mais para admirar aqui a grandeza d’esta festa do que em Coimbra a da Rainha Santa. (…) ”

Aldo Aveiro

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